
Universidade do Estado da Bahia – UNEB
Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias – DCHT
Campus XVI – Irecê-BA
Disciplina – SIPE
Docente – Lucileide Davi
Discente – Elka Viviana de Paula
I AM LEGEND (Eu Sou a Lenda, no Brasil e em Portugal) é um filme pós-apocalíptico de ficção científica/terror de 2007, dirigido por Francis Lawrence e estrelado por Will Smith.
CONTRADIÇÃO
Segundo Rubem Alves, nem sempre as descobertas científicas se dão utilizando somente os métodos científicos. “O termo método que significa literalmente seguindo um caminho do grego meta, junto, em companhia, e dodós, caminho se refere a especificação dos passos que devem ser tomados, numa certa ordem, a fim de alcançar um determinado fim”. (Filosofia da Ciência, p. 133)
No filme Eu sou a lenda, o personagem interpretado por Will Smith adota o método de testes ou experimentos utilizando cobaias.
Rubem Alves diz ainda:
O fato é que os cientistas freqüentemente se vêem incapazes de explicar como as idéias lhes ocorrem, elas simplesmente aparecem, repentinamente, sem que tenham sido construídas passo a passo, por um procedimento metodológico. (ALVES, 1996)
Esse discurso encontra fundamento teórico nas idéias de Gauss, Popper, Polany e Feyerabend que confessam a presença de um fator imponderável no trabalho científico: A criatividade e a obra em questão ressalta essa criatividade quando o ator faz vários testes, com cobaias de diferentes tamanhos e com doses diferentes, observando sempre o tempo e o nível da reação.
Contudo o filme apresenta dois pontos claros de Contradição, primeiro quando usa o título de “Eu sou a lenda” para contar a história de uma experiência científica. Uma vez que lenda é uma narrativa de cunho popular transmitida de forma oral e que não podem ser comprovada cientificamente, daí vem todo o surrealismo do roteiro do filme contradizendo o discurso científico.
No decorrer do filme não fica claro porque o personagem interpretado por Will Smith não contrai o vírus, e no final com o surgimento de mais dois personagens que também de forma inexplicável estiveram em contato com as pessoas contaminadas e não o contraíram, sugerindo uma proteção divina, o que também vai de encontro com o discurso científico.
O filme também em vários momentos apresenta elementos simbólicos, quando o ator tem flashes de momentos passados com sua família, onde a imagem da borboleta surge como elemento transmissor de determinada mensagem, que supostamente orienta o autor na decisão a ser tomada. Nesses momentos pode-se claramente fazer uma inferência entre este filme e “O mistério da libélula”, outro famoso filme americano que utiliza a todo o momento de elementos simbólicos para transmitir mensagens.
O filme faz uma coletânea de discursos científico, simbólico, popular, religioso tornando a obra facilmente questionável e claramente surreal.

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