sexta-feira, 6 de maio de 2011

O trabalho na construção da dignidade humana


      Desde os primórdios da raça humana ficou estabelecido que o homem proveria o seu sustento e da sua prole com o seu suor, para mulher cabia cozinhar, cozer e cuidar dos filhos, porem essa realidade vem mudando no decorrer da historia.
    Observamos cada vez menos a necessidade da força braçal para realização de trabalhos antes designados só para os homens. Com as inovações tecnológicas, percebemos a substituição da mão de obra humana por maquinas, daí vem a necessidade de um novo trabalhador, qualificado, especializado, com capacidade e autonomia para tomar decisões. Outra mudança perceptível é a ascensão da mulher no mercado de trabalho, derrubando preconceitos e proporcionando á sociedade a oportunidade de observarem cada vez mais o sucesso da inversão de papeis.
    Todavia tanto para mulher quanto para o homem, para terem seu trabalho reconhecido e valorizado é necessário qualificação, que a sua pratica e potencial, sejam validados por autoridades discursivas institucionalizadas, para que cada vez menos ocorra casos de  exploração e sub-valorização da  mão de obra, que o cidadão possa reconhecer os seus direitos e tenha subsídios para defende-los,uma vez que ,segundo Foucault toda forma de conhecimento é poder.    

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Ordem do Discurso

A ordem do discurso


 O protesto que fizemos em Barra do Mendes no último dia 28/04,foi para mim uma aula viva, enquanto panfletava ouvia o excelentíssimo SR. Gov. Wagner e lembrava de FOUCAULT e as conexões entre o que ele dizia e as observações de Foucault aconteciam quase que involuntariamente.
Segundo Foucault em todo discurso está inserido uma ideologia, mesmo que esta seja colocada de forma subjetiva, mas que ainda assim tenta disseminar as convicções de determinado autor,ele observa que os discursos vêm se transformando ao longo da historia,sofrendo rupturas, baseado em novas concepções, (aqui não posso deixar de citar a tal conexão,pois bem: Em 2002 Wagner Disputa pela primeira vez o governo da Bahia. No início da campanha, apresenta 2% das intenções de votos. Ao final da eleição, mesmo derrotado, atinge a surpreendente marca de 38% dos votos válidos, conquistando mais de 2 milhões de eleitores. Convidado pelo presidente Lula, assume o Ministério do Trabalho e Emprego. Reformulou as políticas de emprego e renda, responsáveis pela criação de 4 milhões de empregos entre 2003 e 2006. Jaques Wagner também foi reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pela luta contra o trabalho escravo. Wagner assume a Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento e Social da Presidência da República. É responsável direto pelo diálogo entre o governo, agentes econômicos, sociais e populares, foi esse mesmo homem que no dia 28/04 disse que não têm a menor condição de rever,eu disse “rever”- a revogação do decreto 12.586/2011, que alunos e professores fossem cobrar do reitor as suas reivindicações,que sequer senta para negociar com as categorias...aí vem mais uma promessa de campanha...  Neste ano de 2011, nosso compromisso é o Pacto pela Educação. Este pacto que envolve diretamente as prefeituras, pais, alunos, professores e gestores pelo objetivo comum de melhorar o ensino fundamental em todos os municípios, e assim provocar uma grande mudança na educação do nosso estado. Isso terá um enorme impacto na qualidade do ensino médio e na educação profissional, nos quais vamos continuar investindo. É preciso um bom alicerce para que nossas crianças possam seguir em frente.”aí eu pergunto seguir em frente para onde? Para as faculdades estaduais?Ora a realidade é clara, houve e esta havendo uma ruptura dos discursos, a questão é porque ,para que  e a bem de quem? Da maioria com certeza não é, será neste contexto que Foucault coloca que o discurso esta intimamente ligado ao poder que o autor nunca profere tudo a respeito de determinado assunto ,mantendo assim uma certa superioridade que lhe é atribuída devido ao conhecimento nascendo assim o conceito saber/poder.
     A sociedade apesar de conviver com vários tipos de discurso, desenvolveu um certo medo e como conseqüência criaram-se sistemas de controle para tentar dominar a proliferação de discursos, entre eles está  a interdição “Não se tem o direito de dizer tudo ,que não se pode falar de tudo em qualquer circunstancia” e há também quem está habilitado ou autorizado a pronunciar determinado discurso,seja ele político ,religioso ou social,(nosso mega-fone que o diga,pois nem sequer saiu da mochila).
E para fechar a conta o Gov. disse que a verba vai e que não é pouca, aí me lembrei de Foucault novamente daquela “vontade de verdade” onde se enfrentam o verdadeiro e o falso e tive que me contentar em concordar com Foucault quando diz que “não há uma verdade e sim verdades institucionalizadas” e quem sou eu para desmentir?



Referencias:
Agecom - Assessoria Geral de Comunicação Social do Governo do Estado da Bahia
A ordem do discurso
Autor: FOUCAULT, MICHEL
Editora: LOYOLA


terça-feira, 3 de maio de 2011

De uma pessoa especial...

Imagino-te dançando, rodopiando
Descalça, braços abertos, rosto erguido
Recebendo a chuva em seu gotejar
Imagino-te me olhando, me amando
Alma nua, coração doado, corpo dorido
Recebendo de mim amor sem par.

Imagino-nos assim
Fazendo poesia no ser
Eternamente por mim
Num amor sem fim
Por tanto te querer

Imagino-te assim, dando graças à vida
De braços abertos abraçada por Deus
Amor meu, te imagino assim querida
De coração aberto para os braços meus...

O Cânone

Estou aproveitando esse período de recesso forçado para fazer algumas reflexões..passeando pelas prateleiras  da  biblioteca da UFBA ( me perco quando chego lá) ...,voltando as reflexões,folhei varias obras ,sempre pensando em  Bloom, e na questão  do Cânone,cada “M” considerada Cânone,enquanto  algumas obras brilhantes  sequer são conhecidas.
Observando o fato de que a defesa e a crença em determinadas ideologias é algo muito pessoal, entende-se assim que Bloom defende a permanência do Cânone como forma de eleger uma literatura como sendo ideal e perfeita, promovendo assim uma cultura elitista e de exclusão ,quando sabe-se que existe diversas  obras e  autores  tão bons quanto os defendidos por Bloom,mas que dificilmente participara do rol canônico .
Para Leila Perrone-Moisés ”Bloom incorre na defesa de valores anglófilos e na conversão do cânone em manifesto de ordem pessoal” (mais um motivo para discordar dele)..”de onde veio a  idéia de conceber uma obra  literária  que o mundo não deixasse voluntariamente morrer?”segundo Bloom coloca, essa pergunta é defendida perfeitamente nos sonetos de Shakespeare,cânone que teve sua a sua origem nas questões religiosas ,tornou-se uma escolha entre textos  que  lutam uns  com os outros  em busca da sobrevivência e imortalidade.Ele coloca que membros do movimento intitulado por ele mesmo como “membros da escola do ressentimento” sugerem que as obras entram no Cânone graças a campanhas bem sucedidas de publicidade e propaganda, oxalá que isso nunca a venha a se confirmar ou teremos que futuramente utilizar as “obras” de Paulo Coelho  como material de estudo,passível de discurssão.
Algumas posturas de Bloom são extremamente monopolizadoras e estagnadas, quando defende alguns autores como sendo os únicos detentores da possibilidade de serem  estudados e admirados por suas obras que contemplam tanto o estranhamento  quanto a estética ,promovendo assim um sistema de inclusão e exclusão ,invalidando a escolha de outros colegas que não engrossa a fileira da sua generalização,chamando-os de “ralé acadêmica”.Conclui-se portanto que as obras de Bloom deve ser lidas com uma postura critica e por pessoas com autonomia para concordar ou discordar de suas colocações, se assim não for corre-se o risco de tornar cada vez mais densa a massa de alienados.

domingo, 1 de maio de 2011

Resenha "Eu sou a Lenda"



 Universidade do Estado da Bahia – UNEB
Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias – DCHT
Campus XVI – Irecê-BA
Cena do filme 'Eu sou a lenda' / DivulgaçãoCurso – Letras
Disciplina – SIPE
Docente – Lucileide Davi
Discente – Elka Viviana de Paula







I AM LEGEND (Eu Sou a Lenda, no Brasil e em Portugal) é um filme pós-apocalíptico de ficção científica/terror de 2007, dirigido por Francis Lawrence e estrelado por Will Smith.


CONTRADIÇÃO



Segundo Rubem Alves, nem sempre as descobertas científicas se dão utilizando somente os métodos científicos. “O termo método que significa literalmente seguindo um caminho do grego meta, junto, em companhia, e dodós, caminho se refere a especificação dos passos que devem ser tomados, numa certa ordem, a fim de alcançar um determinado fim”. (Filosofia da Ciência, p. 133)
No filme Eu sou a lenda, o personagem interpretado por Will Smith adota o método de testes ou experimentos utilizando cobaias.
Rubem Alves diz ainda:

O fato é que os cientistas freqüentemente se vêem incapazes de explicar como as idéias lhes ocorrem, elas simplesmente aparecem, repentinamente, sem que tenham sido construídas passo a passo, por um procedimento metodológico. (ALVES, 1996)

Esse discurso encontra fundamento teórico nas idéias de Gauss, Popper, Polany e Feyerabend que confessam a presença de um fator imponderável no trabalho científico: A criatividade e a obra em questão ressalta essa criatividade quando o ator faz vários testes, com cobaias de diferentes tamanhos e com doses diferentes, observando sempre o tempo e o nível da reação.
Contudo o filme apresenta dois pontos claros de Contradição, primeiro quando usa o título de “Eu sou a lenda” para contar a história de uma experiência científica. Uma vez que lenda é uma narrativa de cunho popular transmitida de forma oral e que não podem ser comprovada cientificamente, daí vem todo o surrealismo do roteiro do filme contradizendo o discurso científico.
No decorrer do filme não fica claro porque o personagem interpretado por Will Smith não contrai o vírus, e no final com o surgimento de mais dois personagens que também de forma inexplicável estiveram em contato com as pessoas contaminadas e não o contraíram, sugerindo uma proteção divina, o que também vai de encontro com o discurso científico.
O filme também em vários momentos apresenta elementos simbólicos, quando o ator tem flashes de momentos passados com sua família, onde a imagem da borboleta surge como elemento transmissor de determinada mensagem, que supostamente orienta o autor na decisão a ser tomada. Nesses momentos pode-se claramente fazer uma inferência entre este filme e “O mistério da libélula”, outro famoso filme americano que utiliza a todo o momento de elementos simbólicos para transmitir mensagens.
O filme faz uma coletânea de discursos científico, simbólico, popular, religioso tornando a obra facilmente questionável e claramente surreal.