Estou aproveitando esse período de recesso forçado para fazer algumas reflexões..passeando pelas prateleiras da biblioteca da UFBA ( me perco quando chego lá) ...,voltando as reflexões,folhei varias obras ,sempre pensando em Bloom, e na questão do Cânone,cada “M” considerada Cânone,enquanto algumas obras brilhantes sequer são conhecidas.
Observando o fato de que a defesa e a crença em determinadas ideologias é algo muito pessoal, entende-se assim que Bloom defende a permanência do Cânone como forma de eleger uma literatura como sendo ideal e perfeita, promovendo assim uma cultura elitista e de exclusão ,quando sabe-se que existe diversas obras e autores tão bons quanto os defendidos por Bloom,mas que dificilmente participara do rol canônico .
Para Leila Perrone-Moisés ”Bloom incorre na defesa de valores anglófilos e na conversão do cânone em manifesto de ordem pessoal” (mais um motivo para discordar dele)..”de onde veio a idéia de conceber uma obra literária que o mundo não deixasse voluntariamente morrer?”segundo Bloom coloca, essa pergunta é defendida perfeitamente nos sonetos de Shakespeare,cânone que teve sua a sua origem nas questões religiosas ,tornou-se uma escolha entre textos que lutam uns com os outros em busca da sobrevivência e imortalidade.Ele coloca que membros do movimento intitulado por ele mesmo como “membros da escola do ressentimento” sugerem que as obras entram no Cânone graças a campanhas bem sucedidas de publicidade e propaganda, oxalá que isso nunca a venha a se confirmar ou teremos que futuramente utilizar as “obras” de Paulo Coelho como material de estudo,passível de discurssão.
Algumas posturas de Bloom são extremamente monopolizadoras e estagnadas, quando defende alguns autores como sendo os únicos detentores da possibilidade de serem estudados e admirados por suas obras que contemplam tanto o estranhamento quanto a estética ,promovendo assim um sistema de inclusão e exclusão ,invalidando a escolha de outros colegas que não engrossa a fileira da sua generalização,chamando-os de “ralé acadêmica”.Conclui-se portanto que as obras de Bloom deve ser lidas com uma postura critica e por pessoas com autonomia para concordar ou discordar de suas colocações, se assim não for corre-se o risco de tornar cada vez mais densa a massa de alienados.
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